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ÁFRICA DO SUL - Joanesburgo e o Tour por Soweto

 

 

Texto: Felipe Antunes

Fotos: Felipe Antunes e Marcos Antunes

 

COMO CHEGAR

Fizemos nossa viagem do Rio de Janeiro para Joanesburgo com escala em São Paulo. Era a única forma já que não havia voos diretos saindo do Rio de Janeiro.

Poderíamos ter comprado a passagem para todos os trechos com a South African mas, por questão de economia, optamos por comprar o trecho SP-Joanesburgo-SP com a South African e o trecho RJ-SP-RJ pela Gol.

Quando as passagens são compradas desta forma, sem a responsabilidade de uma única empresa, em caso de algum atraso você poderá perder sua conexão e as empresas não têm obrigação de garantir sua colocação em outro voo e sem custo.

 

Veja abaixo texto extraído do site da ANAC (Perguntas Frequentes)

      Quais os direitos do passageiro que perder a conexão do voo definida pela empresa? 

  • O passageiro que perder a conexão definida pela empresa aérea em razão de atraso causado pela própria empresa tem direito à reacomodação (em voo próprio ou de outra empresa), ao reembolso integral ou à execução do serviço por outra modalidade de transporte, devendo a escolha ser do passageiro. Além disso, a empresa deverá oferecer a assistência material, quando cabível e conforme o tempo de espera.

    Quando a conexão é formada pelo próprio passageiro, a empresa aérea não se responsabiliza pelos problemas advindos desse arranjo. Antes de montar a conexão, sugere-se que o usuário fique atento ao horário de embarque de cada voo, se nacional ou internacional, no intuito de evitar, assim, possíveis transtornos, inclusive quando houver troca de aeroportos, pois o deslocamento também é uma responsabilidade do passageiro.

 

Mesmo assim, optamos por correr o risco e compramos desta forma, colocando um bom intervalo de tempo (cerca de 5 horas) entre os voos para tentar minimizá-lo. Veja mais pra frente o que aconteceu.

Pagamos R$ 330,00 pelo trecho RJ-SP-RJ e R$ 2.219,43 pelo trecho SP-Joanesburgo-SP.

Na ida tudo transcorreu normalmente. Os voos saíram no horário e fizemos boa viagem. Entretanto, na volta, o voo da South African  atrasou mais de 4 horas e perdemos a conexão com o voo SP-RJ.

E aí entrou a South African. Eles nos deram uma carta explicando o acontecido para que a levássemos até a GOL para remarcarmos o voo sem custos. Como já passava das 22:00 horas e não havia mais voos para o Rio de Janeiro, eles também nos deram um voucher para ficarmos num hotel em Guarulhos até o dia seguinte, com jantar, café da manhã e almoço, além de transfer de ida e volta. Então fomos ao balcão da Gol e só conseguimos vaga num voo no dia seguinte às 19 horas.

Apesar do atraso, ficamos bastante satisfeitos com o atendimento que nos foi dado. Imprevistos acontecem, não tem jeito, mas, pra mim, o mais importante é como corrigimos as falhas. E eles fizeram tudo que podiam.

Sobre os aviões, o da ida era ok. Parecia ter alguns anos de uso. Já o da volta, estava cheirando a novo. Muito bom! Ambos tinham entretenimento individual com boas opções de filmes. Gostei! 

 

TRANSPORTE

 

Joanesburgo não tem um transporte público muito bom. Aliado às muitas advertências quanto à violência, recomenda-se sempre usar o Uber. Todos os nossos deslocamentos foram de Uber. Recomendo! Ótimos carros e motoristas muito educados.

Só usamos transporte público pra ir do Aeroporto para o Hotel. Usamos o Gautrain. É um trem bem novo, moderno, que liga o aeroporto a algumas poucas estações. Uma delas era colada ao nosso hotel, em Sandton. Usamos e gostamos bastante. Só não pegamos na volta porque era domingo, e neste dia não funciona. Fique atento a isso se for usá-lo.

 

ONDE FICAR

Seguindo o critério de maior segurança, optamos por ficar em um hotel próximo da Praça Nelson Mandela onde, pelas informações que obtivemos, era um local tranquilo.

Ficamos no Signature Lux Hotel. Diária de, aproximadamente, R$ 260,00 em quarto duplo.

Hotel muito bom.

Link do hotel no site booking.com 

 

O QUE FAZER

 

MUSEU DO APARTHEID

 

 

O Museu fica em um complexo que tem um parque de diversões e alguns condomínios residenciais bem novos.

Ao comprar o seu ingresso, ele virá com uma inscrição dizendo se você é um "cidadão WHITE ou NON-WHITE". Essa inscrição não tem qualquer relação com a cor da sua pele. É algo aleatório. E você deve entrar pela sua porta, de acordo com a sua “cor”. Isso já dá um certo impacto. Fui com meu irmão e tivemos que nos separar neste momento. Dá um incômodo você não “poder” ir pelo mesmo lugar que a pessoa com quem você está visitando. Foi uma forma interessante que eles encontraram pra fazer com que o visitante sinta um pouco do que ocorria na época, quando as pessoas eram proibidas de frequentar os mesmos lugares, mesmo sendo amigas.

 

Quando fomos, havia uma exposição dos 100 anos do Mandela. Era muito boa! Mas, pelo que entendi, era temporária. De qualquer forma, o Museu é bem interessante. Vale a visita!

 

TOUR POR SOWETO

 

 

Soweto é praticamente uma cidade dentro da cidade de Joanesburgo. Uma junção de várias comunidades negras que se tornou símbolo da resistência durante o Apartheid. É um lugar com muita pobreza, mas riquíssimo em história. E sempre foi esse lado rico que me fascinou, já que a pobreza, infelizmente, pra nós brasileiros não é muita novidade. 

Em Soweto está a única rua do mundo onde já moraram dois cidadãos laureados com o Prêmio Nobel. São eles Nelson Mandela e Desmond Tutu. Ambos ganharam o Nobel da Paz, em anos distintos, mas pela mesma causa, a luta pelo fim do Apartheid, a igualdade racial na África do Sul e a pacificação do país.

Ali também ocorreu o famoso levante de Soweto em 1976, quando jovens estudantes negros fizeram um imenso protesto contra uma medida do governo sul-africano que prometia dificultar ainda mais a já prejudicada qualidade da educação para os negros no país. Por essas e muitas outras razões, o Tour por Soweto era um dos passeios mais esperados por mim.

Para este passeio é aconselhável contratar um guia. Existem guias autônomos e agências que fazem esse tour. Resolvemos fazer o básico, perguntar na recepção do hotel. E lá nos indicaram a agência MoAfrika Tours.

O tour, que durou meio dia, custou 700 rands por pessoa e a agência nos buscou no hotel. Havia a opção do tour privado, que era o mesmo preço, mas não fizemos questão. Mas me arrependo. Mais pra frente explico. Fomos numa van, razoável, com mais 9 pessoas e o motorista/guia.

Ao chegarmos em Soweto o guia nos explicou como a comunidade foi formada e mostrou que há três níveis de moradias. 

 

 

 

Se engana quem pensa que se trata somente de uma grande favela (Eu fui um deles).

  

 

Também é isso, mas tem casas bem arrumadas, em menor quantidade, parecendo até um condomínio de classe média.

 

 

Em seguida, o guia começou a nos mostrar o lado pobre do local, explicar como e em que condições as pessoas vivem. Foram feitas algumas paradas para breves explicações e seguimos em frente, tudo isso sem sair da van.

No primeiro momento em que saímos da van, no lado mais pobre, o guia nos apresentou outro guia, que morava no local e nos levaria para um passeio por dentro da favela. O fato dele morar em Soweto não é explicação para termos trocado de guia, pois o guia da agência também morava lá. Acho que isso foi feito para esse segundo guia também ganhar um trocado. Isso não me incomodou. Achei até legal, para gerar renda para a população local. Eu e meu irmão demos 100 rands pra ele.

Durante esse passeio, tive a sensação que o novo guia tinha a intenção de chocar os turistas. Sempre focando nas condições sub-humanas que as pessoas vivem, dando dados assustadores e por fim nos levando dentro de um barraco minúsculo onde alguns dos 25 moradores tiveram que sair para entrarmos. Ficamos um pouco constrangidos. Assim como todos do grupo.

Após esse passeio, voltamos para a van e fomos à rua onde moraram Mandela e Tutu, para uma parada de 10 minutos. Quem quisesse visitar a casa de Mandela, teria que se enquadrar neste tempo. A casa de Tutu não é aberta ao público. Achamos pouco tempo.

Ainda dentro de Soweto fomos visitar o Museu Hector Pieterson

 

MUSEU HECTOR PIETERSON

 

Uma boa parte da história do Apartheid e da repressão sofrida pelos negros da África do Sul pode ser vista neste museu.

Hector Pieterson foi um menino de 12 anos que foi morto no dia 16 de junho de 1976 quando jovens faziam uma caminhada de protesto pela cidade (a mesma citada lá em cima). 

 

 

Na entrada do Museu você encontra uma foto (tirada por Sam Nzima), que correu o mundo denunciando o que estava acontecendo, naquele momento, na África do Sul.

Nela vemos Hector, ferido, sendo carregado por Mbuyisa Makhubo (segundo registros) e, ao lado, sua irmã Antoinette Sithole.

O menino Hector acabou virando o símbolo dessa luta.

As atrações do museu são interessantes. Existem muitos vídeos explicativos, curtos, que vão mostrando momentos marcantes da comunidade. Há também materiais usados nos protestos, nas lutas contra a polícia, cadeiras das escolas e muitas fotografias incríveis.

Para entender um pouco melhor sobre o que trata esse Museu, sugiro que todos leiam esta entrevista

Apartheid deve ser perdoado mas não esquecido, diz irmã de ícone de Soweto - Mundo - iG -  

com Antoinette Sithole, irmã do menino Hector Peterson.

 

PONTOS POSITIVOS:

1. Segurança. Em nenhum momento nos sentimos inseguros. 

2. O tempo no Museu Hector Pieterson foi adequado.

3. Valor razoável, incluindo transfer, guia e ingresso do museu.

 

PONTOS NEGATIVOS

1. Foco maior na pobreza do lugar, ao meu ver, deixando de enaltecer um lugar tão importante historicamente.

2. Poucas saídas da van e caminhadas pelo bairro. 

3. Explicações um pouco rasas por parte do guia.

 

O passeio é imperdível. Mesmo não tendo concordado com o foco que foi dado, eu indico.

Acho que focar na pobreza acabou não dando o devido valor a um lugar tão incrível. Um lugar que sofreu, lutou, resistiu e venceu, culminando com a eleição do primeiro presidente negro do país, Nelson Mandela, pondo fim ao Apartheid. Uma das histórias mais incríveis do século passado, que foi deixada um pouco de lado pelo guia. Por outro lado, entendo que as pessoas que moram ali queiram mostrar para o mundo a realidade em que vivem. É uma forma de terem voz.

Por isso, minha sugestão é que se faça o passeio com um guia autônomo. Desta forma, você poderá dizer ao guia qual foco gostaria de dar ao tour.

Eu não posso atestar a qualidade do tour, mas um guia moçambicano nos abordou no hotel, falando português e dizendo que fazia o passeio. Li uma boa referência sobre ele no Trip Advisor, mas não posso opinar. Se alguém quiser consultá-lo por conta e risco, seu contato é:

    HAMIYAMUKELA e Africa Tours, Transfers & Safaris

            Joel Tangai

            Cell: +27 71 4439 387

            e-mail: brotherlylove.joel1@hotmail.com

 

 

RESUMO

 

Quando viajo, eu gosto muito de andar pela cidade, entrar nas ruas pequenas, conhecer alguns cantos escondidos e principalmente tirar fotos. Acho que fotografar a cidade é uma ótima forma de você conhecê-la. Pois à medida que vai procurando lugares legais, detalhes da arquitetura, das pessoas e ângulos diferentes para fotografar, você acaba entendendo melhor a cidade.

Joanesburgo não me proporcionou essa possibilidade. Um pouco pelas orientações quanto à segurança, um pouco pelo tamanho da cidade e também pelo fato dela ser muito espaçada. Mas mesmo assim não me arrependo nem um pouco de ter ido à cidade e acho que é um destino que todos devem passar numa viagem pela África do Sul.

É a maior cidade do país, tem muita história e muita gente de outros países africanos. Vimos gente do Zimbábue, Moçambique etc. Os moradores de Joanesburgo nos disseram que lá é a verdadeira África, não a Cidade do Cabo, que eles consideram muito europeia. E acho que eles têm razão. Portanto, vale a visita!

 

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